Quimeras (II)

sou a carne que habitamos o todo onde queimamos: junto ao corpo os sonhos dos muitos que já somos. todos nós quimeras da vida à nossa espera, tão longa e serpentina, e enganosa a sua língua: ela fala em labirinto com a voz do próprio abismo onde nós somos outros dentro do grito de todos.

Poesia

Na solidão e no silêncio de papel A música sente-se tão longe, tão perto, Perfume da memória, a pele do espectro. Alumbrado te vejo, num vislumbre te perdes: Clamor do dia—são trevas a olhos abertos, Ressequida tinta, e pele que a pele ressente: São páginas suspensas, são brancos desertos.