Quimeras (II)

sou a carne que habitamos o todo onde queimamos: junto ao corpo os sonhos dos muitos que já somos. todos nós quimeras da vida à nossa espera, tão longa e serpentina, e enganosa a sua língua: ela fala em labirinto com a voz do próprio abismo onde nós somos outros dentro do grito de todos.

Cristal

esses liquefeitos tempos vãos novamente correm sob a pele, o nosso abismo me compele vazando vozes de dor que são— ó noites, ardores! aonde vão? antes que o tempo os congele e mais ninguém por vocês vele, nem memória, nem corpo malsão… do abismo vem-me suave fala: o que as noites são, ambos fomos, e … Continue lendo Cristal

Siroco

Ó minha alma cor lazuli, Alma minha que se confunde No manto dourado em dunas… Meu corpo esqueceram puro, Um subterrâneo grão escuro Numa terra que é nenhuma... O eterno Siroco, apenas, me ouve: Sou a tênue palavra que ressoa Num resquício purpúreo, noturno… Fale de dentro, ó silêncio! Fale! antes que a alma suma, … Continue lendo Siroco

Poesia

Na solidão e no silêncio de papel A música sente-se tão longe, tão perto, Perfume da memória, a pele do espectro. Alumbrado te vejo, num vislumbre te perdes: Clamor do dia—são trevas a olhos abertos, Ressequida tinta, e pele que a pele ressente: São páginas suspensas, são brancos desertos.